OS FALSOS CARTAZES ELEITORAIS

O Rui ficou surpreendido com a reação da coligação PÁF à polémica sobre os falsos cartazes eleitorais que satirizavam as caras e os políticos do atual governo. Começaram a brotar nas redes sociais com mais ou menos graça , e geraram uma contra resposta relativa ao PS e António Costa.

O que o Rui não entende é a reação intempestiva: “De que vale o repúdio ou a tentativa de censura ou controlo sobre a publicação das fotomontagens ? ” Perante a imensa produção de imagens, memes, vines, como é possível acreditar que pode haver um controlo?  Manda-se um mail para o Facebook a protestar?

Pior são os cartazes feitos num tom formal e que resultam num total disparate.

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A TAP E PORTUGAL

O Rui não é saudosista do glorioso passado português mas é patriótico, e gostou especialmente de ver a exposição sobre a TAP que pode ser vista no Museu do Design, em Lisboa. “Depois desta venda aos brasileiros, ainda vale mais a pena seguir este passado da nossa companhia aérea”.

Apesar de ter sido fundada por Humberto Delgado em 1945, a TAP funcionou, sobretudo até ao 25 de Abril, como uma ferramenta política fundamental de ligação às comunidades de emigrantes, espalhadas pelo mundo (daí o apelo a viajar pela TAP simbolizada pela andorinha), e com os muitos portugueses que viviam nas antigas colónias africanas e visitavam a metrópole. A este propósito havia até uma farda própria (ver fotografia) para as hospedeiras e comissários que serviam a Linha aérea imperial (que fazia o percurso Lisboa-Luanda-Lourenço Marques).

A rede de lojas da TAP funcionava também como uma montra artística do país e da sua História, que se refletia nas ferramentas de comunicação, nas refeições servidas pela companhia e na própria imagem dos aviões. A isto sim chama-se uma companhia de bandeira. Será que vai continuar assim?

Portugal e o resgate grego

Apesar do Rui ser um apoiante do Siryza e estar chateado com a pressão e irredutibilidade da União Europeia, sente se especialmente triste com a pequenez dos governantes portugueses.

O Rui acha que: ” mesmo não sendo da mesma família política , os governantes portugueses deviam esforçar se por intermediar este impasse”. A economia portuguesa está demasiado frágil e só fica a perder com uma eventual saída da Grécia do Euro. Na realidade passará a ser o próximo elo mais fraco.

Em vez disso, aqueles que ocupam as posições políticas cimeiras em Portugal limitam se a declarar frases aritméticas sobre os países que se mantêm no euro, e a não mostrar grande interesse em ajudar a resolver o problema. Tudo por causa das lógicas eleitorais….mas afinal ” que se lixem as eleições !

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PRIVATIZAR MUSEUS

O Rui está indignado com esta concessão, ou privatização, por 30 anos do Oceanário para a família proprietária dos supermercados Pingo Doce. “O problema é que isto parece ser a abertura da caixa de Pandora, já que pela primeira vez é privatizado um bem público que não seja uma empresa pública prestadora de serviços não culturais ou educativos e de grandes dimensões . A partir do momento em que a fúria privatizadora atinge uma instituição educativa/ambiental, onde ficam os limites? O que se pode seguir?”.

No futuro quem trava a venda, privatização ou concessão da Torre de Belém, Mosteiro de Jerónimos ou Museu Nacional de Arte Antiga? Se não houve reação da população perante uma instituição tão icónica como o Oceanário quem garante que o mesmo não aconteça com a venda de obras de arte a privados e tenha a mesma reação passiva dos portugueses?

Para onde vai o nosso património?

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Os partidos e as eleições legislativas

O Rui não consegue deixar de rir com o nome da coligação PSD/CDS : Portugal à frente. De quê ou de quem? E mais, então e a Sigla PAF, será credível ou funciona como mais um soco nos eleitores?

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Não é que o nome dos movimentos de esquerda sejam bons. Ag!r parece vindo de uma gralha informática , mas percebe-se a lógica de protestar, fazer alguma coisa por mudar, sempre associado à figura da sua líder Joana Amaral Dias.

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Mais suave é o caso da candidatura cidadã Livre/Tempo de Avançar. Um caminho para o futuro com liberdade parece ser demasiado genérico, sem esquecer a importância das candidaturas cidadãs. O que é feito de siglas como POUM ou de outros movimentos anarquistas e marxistas? Que saudades…

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Candidaturas independentes Livre/tempo de avançar 

O Rui é combativo por natureza e não quer pertencer a nenhum partido. Mas não consegue ficar indiferente às candidaturas independentes do Livre/ Tempo de avançar.

O Rui gosta disto porque são abertas a todos os simpatizantes que podem votar nos seus pré candidatos preferidos. Os mais votados são aqueles que vão fazer parte das listas de candidatos às eleições legislativas pelo partido.

Isso obriga os candidatos escolhidos a mostrarem-se junto dos eleitores e a comprometerem-se relativamente às suas escolhas. Isto é bom para a democracia  e ajuda a tornar a política menos opaca. Seja do Livre ou de outro partido qualquer.

 

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LEIRIA CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA

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O Rui diz-me que não gosta dos emblemas como “a capital de…”, porque o valor acrescentado trazem é reduzido, e muitas vezes pouco dizem à identidade da terra.

Desta vez a questão tem a ver com o discurso de Raúl Castro, presidente da autarquia leiriense, proferido no  Dia do Município, que, além de exaltar a relevância do património da cidade e dos seus fatores atrativos, como é habitual nestes momentos, manifestou a sua esperança que um dia Leiria poderia ser Capital Europeia da Cultura, provavelmente em 2027.

“Porquê essa preocupação em ser a capital europeia da cultura? Para deixar obra?Não é mais importante valorizar o que já existe? Dar força às inúmeras associações culturais que já existem?”, perguntava-me o Rui indignado com a ideia.

A ideia que fica de um evento deste tipo é da programa fogacho, ganha-se escala durante aquele ano, que pode até trazer mais nomes e eventos que a cidade não está habituada a receber. Ficam infra estruturas, entram fundos para tudo isso, associado a um lado quase pombalino de reabilitação do centro histórico. E depois o que fica?

A cidade de Leiria deve ser uma das que conta com mais associações culturais, escolas artísticas e coletividades por habitante, que tal promover isso mesmo?

MINISTÉRIO DA CULTURA COM OU SEM EUROS?

Logótipo do Ministério da Cultura criado em 1997 por Ricardo Mealha

Logótipo do Ministério da Cultura criado em 1997 por Ricardo Mealha

O Rui até acha que um governo PS é tradicionalmente mais sensível às questões culturais do que um governo PSD, houve até alguns casos em que os titulares da cultura tiveram algum peso político. Mas a verdade é que apenas durante o ministério Manuel Maria Carrilho existiram recursos financeiros avultados para a política cultural, a que correspondeu provavelmente uma estrutura excessiva. Foi precisamente neste período que foi criado o logótipo do Ministério da Cultura, que representava uma forte política de apoio do Estado à atividade cultural.

Mas, depois disso, Portugal entrou num quase deserto e um desinvestimento cada vez maior na cultura, com direito a declarações de um antigo chefe de governo que assumiu ter dado pouca atenção à cultura. Chegámos aos tristes tempos atuais em que a Cultura ficou reduzida a uma Secretaria de Estado praticamente invisível politicamente, ao mesmo tempo em que é exaltado o peso cada vez maior do turismo na economia portuguesa (e os turistas gastam fundamentalmente o seu dinheiro em quê?).

Por isso o Rui, embora ache que a Cultura precise de ser dignificada politicamente com uma pasta ministerial e com presença no Conselho de Ministros, conclui que não faz sentido que isso aconteça sem orçamento capaz, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos de Ministério da Cultura.

VENDE-SE OCEANÁRIO DE LISBOA

Oceanário de Lisboa (foto retirada do blog Coordenadas GPS)

Oceanário de Lisboa (foto retirada do blog Coordenadas GPS)

Vende-se edifício com 20 mil metros quadrados, 7 milhões e meio de litros de água, 30 aquários e mais de 8 mil animais e plantas. Podia ser um anúncio de uma imobiliária para um interessado em obter visto gold, mas não, é só mais uma privatização. Desta vez do Oceanário de Lisboa, que deixou o Rui mais furioso do que o Paulo Portas quando soube da subida de Maria Luís Albuquerque a ministra em 2013.

“Tem mais de um milhão de euros de receitas por ano, para que é que vão vender? É um instrumento único com a  função pedagógica  para educação e para a preservação dos oceanos, que o Estado deve assegurar. E vai ser vendido em Junho, quase em cima das eleições. Entretanto há uma família muito interessada no negócio é preciso dizer mais alguma coisa?”.

http://observador.pt/2015/05/01/familia-soares-dos-santos-quer-comprar-oceanario-e-criar-fundacao/

Vamos dar a palavra à cigana anarquista e ao gato tareco.

O INSTITUTO PORTUGUÊS DO SANGUE E O SANGUE GAY

Hélder Trindade, presidente do Instituto do Sangue

Hélder Trindade, presidente do Instituto do Sangue

O Rui pensava que todos tínhamos o mesmo sangue, independentemente de ser de um heterosexual, homosexual, bisexual. E que não seria através da resposta oral a um quetionário sobre o comportamento sexual do dador de sangue que o mesmo seria ou não excluido.

Mas afinal não.

Segundo as declarações à Assembleia da República do presidente do Instituto Português do Sangue, Hélder Trindade, este refere que só admite dadores de sangue gay que sejam abstinentes. Por momentos o Rui pensava que estava a ler as declarações num jornal de 1980, mas confirmou a data, e afinal não, o jornal é o Público e a publicação da notícia é de 29 de abril.

Porque as declarações, vindas do responsável máximo de um organismo que periodicamente lança alertas sobre a falta de sangue nos hospitais e a necessidade de aumentar as recolhas, são de um tom preconceituoso que rebenta com qualquer barreira de bom senso, aqui ficam as “pérolas” sanguinárias extraídas da referida notícia, publicada por Bruno Horta no site do jornal Público a 29 de abril. Sem comentários.

“Se o dador admite que é homossexual mas não admite que teve práticas sexuais com homens, pode dar sangue”

“Tenho um critério para o heterossexual e outro diferente para o homossexual que tem coito anal porque na população homossexual existe uma prevalência elevadíssima de VIH.”

A pergunta “sendo homem, teve contactos sexuais com homens?”, cuja existência nos inquéritos escritos de triagem de dadores levou à aprovação da resolução de 2010, é “obrigatória oralmente”, disse Hélder Trindade aos jornalistas, já depois da audição – porque os contactos sexuais de homens com homens são um “factor de exclusão do dador”.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/presidente-do-instituto-do-sangue-so-admite-dadores-gays-que-sejam-abstinentes-1694028?frm=sec