Avenida Heróis de Angola -23h20

O meia dose não consegue dizer claramente quem serão os heróis de Angola: para uns aqueles que combateram contra o colonialismo, para outros os que foram pelo Império, ou talvez as vítimas que morreram por estas causas. Neste caso o que importa, para aqueles que não conhecem Leiria, é que a Avenida Heróis de Angola é o eixo viário principal da cidade, aquele que vai quase até ao seu coração.

Alheio as polémicas da cobertura desta avenida onde o comércio já foi mais florescente, o meia dose decidiu registar fotograficamente esta zona por onde passam mais pessoas por minuto durante o dia. O relógio marcava 23h20, depois de um concerto de jazz no museu de Leiria, e tudo primava pela ausência de seres humanos.

 


  

Money Monster

Este filme realizado por Jodie Foster com duas grandes estrelas – Clooney e Julia Roberts, aponta o dedo ao sensacionalismo da Tv e à falta de ética de um certo jornalismo espetáculo e do meio empresarial da alta finança.

Tendo como ponto de partida um homem comum, que segue os conselhos de um suposto especialista financeiro e investe todo o dinheiro de uma herança, o filme atira também contra a falta de informação e os desafios de uma vida economicamente cada vez mais difícil de uma certa classe média .

Com muita ação e um ritmo imparável, o filme entretém transmite uma mensagem importante nos dias de hoje – a decência do meio empresarial.

 

DEMOLIÇÃO

O meia dose passou por um mau bocado ao perder uma amiga que lhe era muito próxima, pelo que ao ver o filme “Demolição”, com Jake Gylenhaal, percebeu bem como custa tomar consciência da perda de alguém com quem nos habituámos a estar. Esta descida aos infernos muito intensa do protagonista, que perdeu a mulher num acidente, talvez seja levada ao extremo, e não deixa de ser por vezes um pouco maçadora, mas faz sentido.

Movido pela apatia e obsessão pelas rotinas egocêntricas (exercício físico, maximizar o lucro da empresa onde trabalha), que o fazem sentir-se anestesiado na sua relação com a mulher, a personagem central precisa de algumas atitudes extremas para perceber o amor que o ligava com a ela. Tudo começa com a avaria de uma máquina de venda automática e acaba com uma demolição física e a sua desconstrução interior. Se tivesse um trabalho de edição mais preciso ficaria perfeito.

 

 

“45 Anos” de casados

O meia dose diz que depois de ver o filme “45 anos” ficou sem ter bem a certeza se é possível manter a confiança plena relativamente ao parceiro com quem escolhemos partilhar a nossa vida. O filme de Andrew Haigh com Charlotte Rampling como protagonista é muito cru na forma como representa a história de um casal que partilha a vida há quase 45 anos, na placidez claustrofóbica do campo inglês.

A história centra-se na semana anterior da celebração do 45º aniversário do casamento  ensombrada por uma peripécia estranha: Geoff recebe a notícia que o corpo da namorada desaparecida na neve em 1962 foi encontrado e é questionado se pretende ir buscar o corpo. Em circunstâncias normais essa questão seria esquecida uma vez que passou 45 estações felizes com outra mulher, certo? Errado. Este episódio veio despoletar memórias e registos esquecidos que vão intrometer-se na vida pacata que os dois mantinham.

“O final é o maior soco que alguma vez se pode levar no cinema”, promete o meia dose. E que tal experimentar?

 

 

Exposição de ….coisos ilustrados ou mais concretamente falos artísticos 

Diz o meia dose que este título tem uma razão de ser e que sintetiza uma certa maneira de ser portuguesa: há um certo gozo na malandrice e criatividade quando a Implosão-comunidade e ilustradores das Caldas promove o concurso “Sardas das Caldas” para votar no “Melhor Milagre Caldense”. Mas, quando se pergunta a um transeunte onde fica a dita exposição,  no momento de resposta a um certo desconforto em verbalizar: “Ah sim…pois…a exposição de… fica… naquela parte dos Silos”.

“Resumindo e concluindo: cada ilustrador criou um falo ilustrado , e confesso que é difícil escolher o preferido” – disse-me o meia dose. Aqui fica uma curta seleção de alguns para os leitores escolherem.

  

Os castelos de Germanelo e Porto de Mós

O meia dose e o Guedes foram passear e fizeram duas paragens estratégicas: uma no castelo de Germanelo, mandado construir nos tempos da fundação da nacionalidade por D. Afonso Henrique e hoje uma recriação dessa obra original, e o castelo de Porto de Mós,  da mesma época e que tem aquele aspeto portátil que apetece levar para casa.


  

O CASO SPOTLIGHT – MELHOR FILME 2016

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Os prémios da Academia de Hollywood valem o que valem, mas a verdade é que o premiado com a categoria mais importante – a de melhor filme- é aquele que ano após ano será sempre lembrado juntamente com os dos outros anos antes de cada edição dos Oscars, quer seja pela injustiça de haver outros filmes melhores, ou pela sua qualidade e merecimento. Terá sempre aquela marca que o fará ser distinguido face aos milhares de outros filmes que estrearam naquele ano.

Serve esta introdução a propósito do “Caso Spotlight”, Óscar de melhor filme na edição 88. Um filme impecável a nível de produção, interpretações e relevância social da temática –  puxar pelo lado mais nobre do jornalismo de investigação – o de destapar escândalos de abuso de poder de uma instituição social forte e poderosa (neste caso a igreja católica) sobre uma franja fraca e marginalizada (nesta história as vítimas de pedofilia). Em suma: a busca da verdade.

Spotlight faz-nos mergulhar num mundo diferente (roupas, cenários, adereços), com um ritmo alucinante e  um impacto visual inesquecível como Mad Max: Fury Road ? Não, não faz. Mas traz a arte de contar bem uma história que não nos deixa indiferentes e deixa aquele nó chato na garganta.