MICROFICÇÕES E FILMES-VOL 3

O Sr. Asdrúbal recebeu uma chamada para fazer um trabalho de reparação da canalização de um monte no Alentejo que era de um tal Alfredo Ixcoque. Ao chegar lá só viu terra sem fim e ninguém apareceu. Uma avioneta começou a persegui-lo e ele correu tanto que, quando deu por si, estava metido numa Intriga Internacional.

 

 

ie

Há muito tempo que Candela deixou de ser uma mulher a beira de um ataque de nervos. A perda do namorado terrorista xiita em 1989 transformou-a numa fundamentalista islâmica.

candela

A professora Delfina apaixonou-se loucamente pelo Mickey. Juntos fizeram quase tudo, incluindo um strip com leite e música do Joe Cocker, até que um dia ele desapareceu. Voltou 9 semanas e meia depois assim. Foi a vez dela desaparecer.

9 sem

A pequena Neide Margarete perdeu toda a confiança no futuro quando viu um senhor gordo de cadeira de rodas a sair de uma cabine telefónica em vez do super-homem.

sh

 

 

House of Cards e Robin Wright

O meia dose diz que antes de começar a seguir sofregamente a série “House of Cards” nunca tinha dado conta da atriz Robin Wright. De facto tem razão foi, quase sempre, uma presença discreta ou secundária na grande maioria dos filmes onde participou. Mas nesta emocionante série sobre as conspirações e intrigas na alta política americana tudo é diferente. É ela que tem ganho protagonismo ao longo das temporadas no papel da gélida mulher de congressista, depois de vice-presidente, depois presidente e agora candidato a presidente nesta quarta temporada.

Sempre sibilina e fria e com um único objetivo: ajudar o marido a chegar ao topo da política americana. Mas cansou-se do papel decorativo de”mulher de “, ela quer mais e é nesta temporada que se revela em toda a sua força esta ambição que o marido presidente insiste em bloquear. E agora como vai ser a relação de forças entre os dois?

MICROFICÇÕES E FILMES-VOL 2

O André continua a publicar os seus micro contos sempre sobre o tema do cinema como pano de fundo. É bom para quem tem pouco livre ou para quem aguarda impacientemente a sua vez numa repartição pública.

 

Primeiro foram os gritos em árabe, depois uma explosão e pó, muito pó. A seguir um zumbido nos ouvidos. Com o coração a bater percebi que estava vivo, levantei-me e dei a mão ao Tintim e ao Milú.

tintim

 

O taxista era silencioso, cabeça rapada, óculos escuros e vagamente parecido com o Robert De Niro. Chamei-lhe a atenção quando vi que não ia parar no sítio que lhe pedi. Respondeu me” talkin to me?”O taxista era silencioso, cabeça rapada, óculos escuros e vagamente parecido com o robert Deniro. Chamei-lhe a atenção quando vi que não ia parar no sítio que pedi e ele respondeu -me com pronúncia minhota ” You talking to me?

taxi driver

 

Nas manhãs de janeiro o mini cooper nunca pegava. Eu e o meu pai tínhamos de empurrar o carro. A parte mais divertida era quando o carro dava sinais de vida e tínhamos de saltar para dentro aproveitando a descida. Por pouco não ficámos uma família à beira de um ataque de nervos.

família

 

O meu tio já andou a fugir de um pedregulho gigante, às voltas com um templo perdido e fez as pazes com o pai ausente. Pelo meio ainda tentou passar o testemunho ao filho bastardo mas a coisa não correu bem. Aos 77 anos já disse que não se vai reformar.

indiana

Passeio por Torres Novas

O Guedes foi até Torres Novas, terra antiga com foral concedido ainda no século XII, pouco tempo depois da fundação da nacionalidade. Subiu até ao castelo recentemente restaurado, depois passeou pela arejada e bem conservada Praça 5 de Outubro, e desceu até ao coração da terra que mantém alguma vivacidade no seu comércio local e com o rio Almonda ali bem perto, apesar da proximidade do centro comercial. Só teve pena de não ter podido visitar a prestigiada galeria Neupergama. Era dia de feira, e embora não lhe tenha apetecido andar a bater-se com outros carrinhos de choque atreveu-se a acabar o passeio  com uma oleosa fartura.

 


  

Parque da Graça de Lisboa 

O Guedes sempre gostou do lado bairrista da cidade de Lisboa. Por isso nas escapadelas que faz até à capital é aí que gosta de ir, especialmente andar nos jardins de bairros. 

O último por onde andou foi no Parque urbano da Graça. Desenvolve-se ao longo de uma encosta, com espaço infantil sombreado e o resto mais desabrigado mas bem situado para colher belas perspetivas de Lisboa.

   
 

MICROFICÇÕES E FILMES

O André gosta muito de ler e escrever mas tem um problema: é pouco disciplinado e preguiçoso para manter esse gosto. Por causa disso, quando descobriu a microficção até 150 caracteres decidiu que esse seria o melhor caminho. Diariamente obriga-se a sentir-se inspirado para escrever uma dessas histórias pigmeu vagamente inspiradas em cenas ou personagens da história do cinema.

  • O calor da sala era muito e a quantidade de turistas que tiravam fotografias também. Estava a ser penoso recriar a personagem de um criado em Downtown Abbey.

10350515_931038526981895_3595936845466765549_n

 

  • O meu vizinho não queria acreditar na proposta que aquele desconhecido do Norte Expresso lhe estava a fazer. “Crisscross, você mata o meu pai e eu mato quem você quiser”. O que ele não imaginava era que o meu vizinho já conhecia aquela história. Tinha visto o filme de Hitchcock vezes sem conta.

criscross

 

  • Depois de perder o filho que esperava Eva foi comprar um bonsai . Afinal de contas sempre era mais seguro do que ter um filho de James Bond.
  • Hillary Clinton disfarçava com um sorriso plástico o enjoo com as coreografias e piruetas que John Travolta a obrigava a fazer na pista de dança. Maldito donativo da Cientologia!
  • Depois de ver O Renascido, o meu tio não foi capaz de voltar ao seu trabalho de tratador de ursos do jardim zoológico.

o renascido

 

 

Os castelos de Germanelo e Porto de Mós

O meia dose e o Guedes foram passear e fizeram duas paragens estratégicas: uma no castelo de Germanelo, mandado construir nos tempos da fundação da nacionalidade por D. Afonso Henrique e hoje uma recriação dessa obra original, e o castelo de Porto de Mós,  da mesma época e que tem aquele aspeto portátil que apetece levar para casa.


  

DONALD TRUMP E OS GIFS

Os Gifs são por vezes pequenas maravilhas artísticas, mas, neste caso, o Rui quis lembrar a sua potencialidade satírica. Vem isto a propósito do muito assustador candidato presidencial Donal Trump e da forma como o universo gif o retratou.

Aqui fica uma breve seleção:

O senhor atrás do candidato arrependido de ali estar

Visão artística se é que é possível

A despedir os que estão contra ele

Compôr o cabelo

O CASO SPOTLIGHT – MELHOR FILME 2016

spotlight-xlarge

Os prémios da Academia de Hollywood valem o que valem, mas a verdade é que o premiado com a categoria mais importante – a de melhor filme- é aquele que ano após ano será sempre lembrado juntamente com os dos outros anos antes de cada edição dos Oscars, quer seja pela injustiça de haver outros filmes melhores, ou pela sua qualidade e merecimento. Terá sempre aquela marca que o fará ser distinguido face aos milhares de outros filmes que estrearam naquele ano.

Serve esta introdução a propósito do “Caso Spotlight”, Óscar de melhor filme na edição 88. Um filme impecável a nível de produção, interpretações e relevância social da temática –  puxar pelo lado mais nobre do jornalismo de investigação – o de destapar escândalos de abuso de poder de uma instituição social forte e poderosa (neste caso a igreja católica) sobre uma franja fraca e marginalizada (nesta história as vítimas de pedofilia). Em suma: a busca da verdade.

Spotlight faz-nos mergulhar num mundo diferente (roupas, cenários, adereços), com um ritmo alucinante e  um impacto visual inesquecível como Mad Max: Fury Road ? Não, não faz. Mas traz a arte de contar bem uma história que não nos deixa indiferentes e deixa aquele nó chato na garganta.

 

 

 

Os Óscares de Mad Max: Fury Road

“O filme é um dos maiores espetáculos visuais. Se houvesse justiça na Academia de Hollywood, Mad Max ganhava tudo, mas como não há ficam com os prémios de consolação. ” E mais nada, assim sentenciou o meia dose sobre o cenário mais provável que vai acontecer no dia 28 de fevereiro, na entrega dos Óscars de Hollywood.

É pena porque este filme (o 4º de uma saga iniciada em 1979 com Mel Gibson como protagonista) deu uma reviravolta na história original (Max tem um papel quase secundário face à furiosa Charlize Theron), e na ideia de sequela, que raramente são melhores que o original.

É certo que a história é pobre e violenta (Furiosa tenta proteger as jovens e férteis concubinas de um ditador de uma terra onde não há água e tudo é seco e o Mad Max dá uma ajuda), mas o ritmo, a loucura de movimentos e os pormenores das várias figuras que perseguem Max e Furiosa são impressionantes. A riqueza visual (inesquecível a entrada na tempestade de areia) eleva este filme a tudo o resto que estreou em 2015.