Imagens à beira do rio Liz

Diz o meia dose que a zona à beira do rio Liz é sempre uma surpresa para qualquer um que goste de tirar fotografias, e dedicar-se à área como é o seu caso.

Seja como ginásio ao ar livre à sombra de frondosas árvores que já ali estão há muitas décadas…

Reflexos da água turva do rio em obras onde o homem pôs a mão…

Ou entre vegetação mais ou menos densa num cenário um pouco ao jeito de David Attenborough, o naturalista britânico que gostava de aparecer de surpresa no meio de um cenário destes enquanto apresentava um programa do National Geographic.

Leiria e as pontes

Para muitos que não conheçam Leiria pode parecer estranho a associação a cidade das pontes, o tema que o meia dose vai explorar em alguns trabalhos para o mestrado. 

Quem não conheça Leiria pensará, mas Leiria tem alguma ponte como as de Lisboa ou Porto? Pois, não tem. Na verdade são pequenas pontes, porque o rio é estreito, mas são muitas pequenas passagens de uma margem para a outra, o que torna o enquadramento do rio na zona da cidade especialmente bonito.

O meia dose quer captar as mudanças na envolvente a todas estas pequenas pontes ao longo de um ano, no início de cada mês : as árvores, o rio, as pessoas, as cores. Com e sem filtro.

 
   

VER CINEMA NAS SALAS DA BAIXA

Antigo Cinema Eden, Lisboa

Antigo Cinema Eden, Lisboa

O meia dose fica muito surpreendido quando lhe conto que a baixa de Lisboa e do Porto estavam repleta de salas de cinema a funcionar até 1990, dito assim até pareço velho. Como ele nunca conheceu essas cidades de outra forma acha estranho.

Mas a verdade é que estas salas de cinema davam identidade a essa zona antiga com uma vertente de lazer e de valorização arquitectónica, que hoje em dia está ausente perante a massificação dos turistas nestas áreas históricas e nas salas de shoppings.

Com a explosão dos centros comerciais nas periferias e o hábito de ver filmes através de downloads  no ecrã de computador, o “ir ao cinema” deixou de ter o mesmo sentido, passando a ser algo indiferente que não justificava ir a um espaço diferente.

Antigo cinema Batalha, Porto

Antigo cinema Batalha, Porto

Mas, tudo indica que nos últimos meses alguma coisa está a mudar. “Em Leiria temos o ciclo Hádoc no Miguel Franco, organizado pela Associação Eco, um ciclo de cinema documental que até o Nick Cave já trouxe em forma de documentário”.

http://www.hadoc.pt/

No Porto, está a desenvolver-se desde 2014 o Porto/Post/Doc, com o propósito de reativar o cinema na baixa portuense com uma programação alternativa e nomes menos conhecidos sobretudo na área do documentário. Rodeada de cinema comercial por todos os lados, a ilha da baixa destaca-se com um programa que não se vê nos outros lados sem os feudos das sessões de Verão ao ar livre ou das sessões da  cinemateca.

Haja esperança para o cinema na Baixa.

http://www.portopostdoc.com/home/ha-filmes-na-baixa/2015/view?id=128#C1

LEIRIA CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA

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O Rui diz-me que não gosta dos emblemas como “a capital de…”, porque o valor acrescentado trazem é reduzido, e muitas vezes pouco dizem à identidade da terra.

Desta vez a questão tem a ver com o discurso de Raúl Castro, presidente da autarquia leiriense, proferido no  Dia do Município, que, além de exaltar a relevância do património da cidade e dos seus fatores atrativos, como é habitual nestes momentos, manifestou a sua esperança que um dia Leiria poderia ser Capital Europeia da Cultura, provavelmente em 2027.

“Porquê essa preocupação em ser a capital europeia da cultura? Para deixar obra?Não é mais importante valorizar o que já existe? Dar força às inúmeras associações culturais que já existem?”, perguntava-me o Rui indignado com a ideia.

A ideia que fica de um evento deste tipo é da programa fogacho, ganha-se escala durante aquele ano, que pode até trazer mais nomes e eventos que a cidade não está habituada a receber. Ficam infra estruturas, entram fundos para tudo isso, associado a um lado quase pombalino de reabilitação do centro histórico. E depois o que fica?

A cidade de Leiria deve ser uma das que conta com mais associações culturais, escolas artísticas e coletividades por habitante, que tal promover isso mesmo?