REPORTAGEM SOBRE A ILHA DO PRÍNCIPE

Ilha do Príncipe (imagem retirada do site tartarugasmarinhas.pt)

Ilha do Príncipe (imagem retirada do site tartarugasmarinhas.pt)

O André já há muitos anos que anda a poupar dinheiro para passar umas férias de Verão em São Tomé e Príncipe com a sua companheira.  A avó Joaquina nasceu lá em 1898, e apesar de ter vindo jovem para Leiria, ficou sempre a vontade de conhecer melhor aquele mini Estado no Equador onde ela nasceu. E de andar no meio daquelas florestas, praias desertas e roças de cacau decadentes.

Vem isto a propósito da reportagem “Em busca do príncipe perfeito” que a SIC transmitiu dia 12 de maio, um trabalho da jornalista Amélia Moura Ramos. A ideia era acompanhar e avaliar o projeto de turismo sustentável que o milionário sul-africano Mark Shuttleworth começou a desenvolver a partir de  2011, quando lhe foi concedido pelo governo regional a exploração de um terço da ilha do Príncipe.

A reportagem foca todos os principais pormenores do negócio: desde a componente agrícola e turística, aos vários altos cargos (brancos) que se encontram responsáveis pelas diferentes vertentes no negócio, a vertente educativa, o reflexo na população local, as preocupações ambientais, os salários.

Tudo isto dentro de uma perspetiva crítica e muitas vezes incómoda (deixou mais de um dos entrevistados especialmente desconfortáveis com as suas perguntas), sem esquecer alguns dos (poucos) avanços e benefícios que o projeto turístico já trouxe para a ilha do Príncipe. E no final, não deixa de indicar que “A SIC viajou a convite da HBD”. A isto chama-se isenção e independência

http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemespecial/2015-05-12-Em-busca-do-principe-perfeito

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SHARK TANK E OS NEGÓCIOS

Quando atendi o telefonema do André percebi que estava cansado ou chateado. Disse-me que eram ambas as coisas, estafado pela caminhada de 10 quilómetros feita na véspera, e zangado pela discussão que teve com a Sónia, a namorada.

Tudo aconteceu por culpa do Shark Tank  português, que ela não queria ver, “muito melhor é a novela da TVI passada em Angola”, rebatia ela. Este arrufo pouco durou, mas ele queixava-se a explicar: “Ainda por cima estando ela desempregada e a vender colares e pulseiras no Facebook, sempre podia aprender alguma coisa para ganhar mais”.

Resumindo, apesar de ser um entusiasta do programa americano e dos pequenos negócios originais que por lá apareciam, o André diz que  estava receoso com o que ia ver. Os anúncios promocionais eram uma desgraça, parecia que pediam às pessoas para mudar de canal. Mas afinal correu bem.

Os tubarões até foram mais ou menos controlados, encenaram pequenas picardias para dar sumo ao programa. O nível médio dos negócios também não era mau, tirando o museu erótico, que apareceu pouco fundamentado,  sem se perceber que custos e receitas iam ter, e sem hotel associado para se por em prática o que se podia aprender. Afinal de contas nestas coisas dos negócios temos de ser criativos não é?

A Sónia começou a interessar-se quando viu a ideia da peça que emparelhava os pares de meias, e sabes o que me disse: “olha isto é que me poupava muito trabalho em encontrar os teus pares de meias”. Já viste que coisas tão óbvias que esta rapariga às vezes diz!

E tu André? Que negócio levavas para os tubarões investirem? Perguntei-lhe eu a testar o seu nível de empreendedorismo. Levava a compra e exploração da quinta dos Charters para ser de nós todos, isso é que era, para haver um parque verde em Leiria. Mas o problema é como é que se mantêm 40 mil metros quadrados de árvores e sem construções extra, e quem é que investe mais de 4 milhões de euros num projeto destes. É que isto não vai lá só  fazendo uma vaquinha…

http://preguicamagazine.com/2013/09/26/uma-vaquinha-para-comprar-a-quinta-dos-charters/